A Minha História

O meu nome é Ana, tenho 31 anos e sou natural de Massarelos, no Porto. Mudei-me para Viseu quando entrei na faculdade e desde que me lembro de ser pessoa tenho oscilações de peso.

Até aos meus 8 anos fui uma criança magra e esguia. Brincava na rua, esfolava os joelhos a andar de bicicleta e fazia os TPC na escola para poder brincar às caçadinhas mal chegasse a casa. Foi na 3ª classe que me chamaram “gorda” pela primeira vez. Não liguei. Havia meninos gordos e magros, meninos de cabelo loiro e cabelo escuro, altos, baixos… Na altura isso não era importante para mim. Ser gordo ou magro significava o mesmo que ter olhos azuis ou cabelo liso. Continuei a brincar na rua e a esfolar os joelhos e a ser criança.

Sempre fui a mais alta da turma, a mais alta das minhas amigas e a rapariga mais alta da família. Aos 13 anos cheguei aos meus actuais 1,74 m e isso sempre foi um refúgio para desculpar o aumento de peso. Refúgio meu e dos outros quando opinavam sobre o tema: “Tu não és gorda, tu tens as ancas largas.” ou então ” Tu também és alta, não podes querer pesar 50 kg”.

Para além desse, ainda tinha outro refúgio: tinha uma cara bonita. Seria hipócrita ou falsamente modesta se dissesse o contrário e isso fez com que muitas vezes me auto-desculpasse e ignorasse os quilos a mais que se foram somando. Emagrecia, engordava, emagrecia outra vez, engordava novamente, até chegar aos 83,5 kg em 2014.

Antes de mudar a minha alimentação e a minha forma de ver a comida, a época de que me lembro estar mais magra talvez tenha sido no 1º ano da faculdade, em 2002/2003. Devia pesar uns 70 kg. Não que me alimentasse melhor, mas porque tinha sempre alguma coisa para fazer com o tempo e às vezes nem me lembrava de comer ou quando o fazia era sempre a correr. Ser caloira tinha destas coisas.

Seguiram-se várias tentativas para emagrecer, todas elas com dietas sem sentido, sem orientação e baseada no meu estado de espírito e de humor. Lembro-me de achar que “se o pequeno-almoço é a principal e a mais importante das refeições, talvez se eu comer tudo o que quero e que acho que faz bem, apenas nessa refeição, seja o suficiente para o meu dia e para emagrecer”.  Ou então de decidir fazer apenas as três principais refeições: pequeno-almoço, almoço e jantar e de beber apenas água entre elas, pois assim ia emagrecer e ainda era saudável porque beber água faz bem.

Como já tinha referido, em Junho de 2014 atingi o meu peso máximo de 83,5 kg.

Fui a uma festa de anos de um amigo do meu namorado e lá tudo começou. A M., namorada do aniversariante e a R., uma das convidadas, discutiam receitas de batidos com vários tipos de sementes e legumes e eu senti-me totalmente deslocada daquele mundo. Deram-me a conhecer a dieta que estavam a fazer e asseguraram que não tinham fome. Até havia um livro que as ajudava! Fui no dia seguinte comprá-lo e passada uma semana estava convertida.

Despertei para uma nova alimentação, cumpri religiosamente o que era devido durante 2 meses e perdi uns 5 kg. Andava feliz.

Em Agosto, após vir de umas férias no Porto, fui internada nos HUC (Hospitais da Universidade de Coimbra) devido a uma trombose venosa profunda e a uma embolia pulmonar.

No início do ano tinha descoberto que sofria de uma doença auto-imune e submeti-me a um tratamento com corticóides e isoniazida. Esse mesmo tratamento, aliado à pílula e ao meu factor genético (característico de trombofilia) provocaram o meu internamento. Em nada a minha alimentação teve a ver  com este episódio. Seguiram-se meses muito oscilantes no que tocava à dieta, chegando quase ao peso inicial após o Natal.

Eis que chega 2015 e “Ano novo, vida nova” .

Voltei a pegar na dieta e por volta de Março achei que deveria fazer exercício. Já tinha feito 4 inscrições em ginásios que abandonava ao fim do poucos meses. Ou porque não tinha dinheiro, ou porque mudava de cidade, ou porque ficava doente, ou por outra razão qualquer. Então comecei a correr na Ecopista do Dão com a minha melhor amiga R. Fiz uma grande evolução até que, com a chegada do Verão, correr na rua se tornou insuportável . A A., namorada de outro amigo do T. praticava CrossFit, assim como muitos dos meus amigos e resolvi experimentar uma aula. Inscrevi-me passados dois dias e apesar das dores intensas iniciais, fiquei viciada. Como treinava muito, então achava que tinha que comer mais hidratos de carbono. Engordei 2 Kg num mês e ao contrário do que me diziam, não era massa muscular, mas sim gordura, fruto da minha alimentação.

Numa conversa de café, fiquei a saber que o J. tinha uma formação de PT (personal trainerque englobava conhecimentos na área da alimentação e fazia planos alimentares. Pedi-lhe que me fizesse um e disse-lhe: “Quero chegar aos 70 Kg até à data do meu aniversário.” – estava na altura com 76 kg.

Em pouco menos de 2 meses consegui! Seguiu-se outro plano alimentar que me permitiu chegar aos 68 kg, mas que foi difícil de cumprir. As demasiadas restrições fizeram com que o número de dias em que seguia o plano fosse igual ao dos que não seguia. Voltei aos 70 Kg.

Na box onde me inscrevi inicialmente conheci a Claúdia Maranhoto.

Tornámo-nos grandes amigas e sem ela não teria despertado para o vegetarianismo. Há algum tempo que tinha curiosidade e pensava no assunto, mas não conhecia ninguém que fosse vegetariano e que me pudesse ajudar.

Para além de ser vegetariana, a Cláudia é também dietista e pela primeira vez em 31 anos foi-me prescrito um plano alimentar por um profissional de sáude. Tenho actualmente 67 kg.

Com pouco mais de três semanas decorridas desde que decidi tornar-me vegetariana, criei este blog, onde quero partilhar as minhas experiências, dúvidas, receitas e outras coisas do dia-a-dia, tal como se fosse um diário. O meu Diário aos 31 anos.

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